segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Como conseguir recursos quando a escola não tem sequer a infraestrutura adequada?


Ozana e Caio. Foto: Leo Drumond/Nitro  Conversar com a equipe gestora para verificar o que pode ser resolvido pela escola e o que precisa ser solicitado à rede são os primeiros passos. Ozana Vera Giorgini de Carvalho, professora da sala de recursos, lembra o caminho percorrido pela EM Vasco Pinto da Fonseca, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, desde 2006, quando começou a inclusão. A escola recebeu alunos surdos e nenhum docente sabia a Língua Brasileira de Sinais (libras). Foram meses até que a Secretaria enviasse um professor bilíngue e um intérprete para que o trabalho ocorresse de forma adequada. "Em 2009, 97% da comunidade escolar tinha conhecimentos básicos para se comunicar com os surdos", conta Ozana. 

Para melhorar sua atuação, a escola buscou alternativas. Inscreveu-se no prêmio Minha Escola Cresce, do Instituto Arcor do Brasil, e foi uma das ganhadoras em 2008 e 2010. Assim, conseguiu comprar notebooks, computadores e jogos. Junto à Secretaria Municipal, obteve uma mesa eletrônica que auxilia na alfabetização de alunos surdos, além de cegos e com baixa visão, que passou também a atender. 

Para conseguir uma sala de recursos, Ozana inscreveu a escola no prêmio Experiências Educacionais Inclusivas, do Ministério da Educação (MEC). "Não ganhamos, mas nosso trabalho foi reconhecido e, por isso, nos deram a sala este ano." Ali, ela atende alunos como Caio Marcio Fernandes, 12 anos, surdo. O garoto, que está no 3º ano, realiza com a orientação dela atividades para desenvolver o condicionamento das mãos, fundamental na aprendizagem de libras. 

As unidades que ainda estão montando sua infraestrutura têm uma alternativa: o Programa de Implantação de Salas de Recursos Multifuncionais do MEC. A solicitação deve ser feita pela Secretaria de Educação via Sistema de Gestão Tecnológica (Sigetec) do Ministério. Kátia Regina Caiado, docente da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), sugere ainda outro caminho se a necessidade for de materiais de apoio e formação continuada para os professores: "As escolas devem procurar, em sua comunidade, entidades como a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), que têm unidades em todos os estados, com exceção de Roraima".

 

Que medidas posso tomar quando recebo um aluno com deficiência em uma turma numerosa?


Sueli, Leda e Ageu. Foto: Raoni MadalenaAinda não existe uma lei nacional que obrigue a redução de alunos em classes que tenham crianças com NEE. Em algumas Secretarias de Educação, entretanto, isso já ocorre, como na de Cuiabá e na de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo - nesta, a lista de chamada pode ter cinco nomes a menos. Por isso, a primeira coisa a fazer é verificar se a Secretaria de Educação a que você está vinculado é uma delas. 

A professora Sueli Alves, de São Bernardo do Campo, foi beneficiada pela medida. Na EMEB Helena Zanfelici da Silva, onde ela leciona, as salas têm em média 30 estudantes e a dela, um 2º ano, tem 23 - três deles com NEE. Por causa de Ageu Soares de Oliveira, 9 anos, autista, ela também tem o auxílio de uma estagiária de inclusão, Leda Aparecida da Silva Costa, solicitada à rede. "Ele precisa de alguém que incentive sua comunicação e o ajude no trabalho com os colegas. Essa educadora contribui para tornar efetiva a participação dele em todas as atividades", explica Sueli. "Com a parceria, aos poucos, conseguimos que ele se interessasse mais pelos conteúdos e passasse a interagir com os outros estudantes." Após o rearranjo, a professora conseguiu potencializar o trabalho, do planejamento à realização das tarefas em classe. "Agora tenho mais tempo para organizar a turma e observar as dificuldades de cada um mais de perto."

Ter o tamanho da turma reduzido e contar com um auxiliar é um benefício essencial para que a Educação inclusiva funcione. Infelizmente, muitas vezes é difícil e demorado obter isso junto às redes. "Nos locais em que essa não é realidade, o professor costuma se sentir sozinho em sala de aula", afirma Sonia Casarin, docente da pós-graduação em Educação Inclusiva do Instituto Superior de Educação Vera Cruz, em São Paulo. Em casos como esses, que ainda são maioria, a especialista sugere dividir a sala em grupos produtivos, aproveitando a competência de cada um. "Ao colocar para trabalhar juntos alunos com saberes diferentes, é possível beneficiar todos, e não somente os que têm NEE", afirma Sonia.


1Como garantir a aprendizagem de uma criança com paralisia cerebral?


Roberta e Isabelly. Foto: Raoni Madalena
"Não me sinto sozinha nesse trabalho de inclusão. Conto com uma auxiliar em sala para dar conta de toda a turma e tenho a parceria da responsável pelo AEE. Juntas, pensamos nas melhores soluções para que Isabelly avance." Roberta Martins Braz Villaça, professora da EMEB Helena Zanfelici da Silva, em São Bernardo do Campo, SP.Ensinar crianças e jovens com necessidades educacionais especiais (NEE) ainda é um desafio. Nos últimos dez anos, período em que a inclusão se tornou realidade, o que se viu foi a escola atendendo esse novo aluno ao mesmo tempo que aprendia a fazer isso. Hoje ainda são comuns casos de professores que recebem um ou mais alunos com deficiência ou transtorno global do desenvolvimento (TGD) e se sentem sozinhos e sem apoio, recursos ou formação para executar um bom trabalho. Dezenas de perguntas recebidas por NOVA ESCOLA tratam disso. Mas a tendência, felizmente, é de mudança - embora lenta e ainda desigual. A boa-nova é que em muitos lugares a inclusão já é um trabalho de equipe. E isso faz toda a diferença.
Ensinar crianças e jovens com necessidades educacionais especiais (NEE) ainda é um desafio. Nos últimos dez anos, período em que a inclusão se tornou realidade, o que se viu foi a escola atendendo esse novo aluno ao mesmo tempo que aprendia a fazer isso. Hoje ainda são comuns casos de professores que recebem um ou mais alunos com deficiência ou transtorno global do desenvolvimento (TGD) e se sentem sozinhos e sem apoio, recursos ou formação para executar um bom trabalho. Dezenas de perguntas recebidas por NOVA ESCOLA tratam disso. Mas a tendência, felizmente, é de mudança - embora lenta e ainda desigual. A boa-nova é que em muitos lugares a inclusão já é um trabalho de equipe. E isso faz toda a diferença.

A experiência de Roberta Martins Braz Villaça, da EMEB Helena Zanfelici da Silva, em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo, comprova isso. Entre seus 24 alunos da pré-escola está Isabelly Victoria Borges dos Santos, 5 anos, que tem paralisia cerebral. Apesar do comprometimento motor, a menina tem a capacidade cognitiva preservada. Na escola desde o ano passado, ela participa de todas as atividades. "Os conteúdos trabalhados em sala são os mesmos para ela. O que eu mudo são as estratégias e os recursos", explica a professora.

Isabelly se comunica por meio da expressão facial. Com um sorriso ela escolhe as cores durante uma atividade de pintura. No parque, com a ajuda das placas de comunicação, decide se quer brincar de blocos de montar ou no escorregador. Nas atividades de escrita, indica quais letras móveis quer usar para formar as palavras e já reconhece o próprio nome. "Ela tem avançado muito e conseguido acompanhar a rotina escolar", comemora a professora.

Roberta não está sozinha nesse trabalho. Ela conta com o apoio diário de uma auxiliar, que a ajuda na execução das atividades, na alimentação e na higiene pessoal de Isabelly. Outra parceira é a professora do atendimento educacional especializado (AEE). Num encontro semanal de uma hora, elas avaliam as necessidades da menina, pensam nas estratégias a utilizar e fazem a adaptação dos materiais.

Inaugurada em 2001, a escola em que Roberta leciona já foi construída levando em conta a inclusão: o projeto previa um elevador e um espaço para uma futura sala de recursos. Mas daí a funcionar com qualidade, com materiais diversos e uma equipe afinada, foi um longo caminho. "Somente em 2005 passamos a contar com estagiários e auxiliares em sala", lembra a diretora, Maria do Carmo Tessaroto.

Gestores preocupados com a questão e que buscam recursos e pessoal de apoio fazem da inclusão um projeto da escola. Dessa forma, melhoram as condições de trabalho dos professores, que passam a atuar em conjunto com um profissional responsável pelo AEE, a contar com diferentes recursos tecnológicos e a ter ciência de que o aluno com deficiência ou TGD não é responsabilidade exclusivamente sua. Com a parceria da família, as possibilidades de sucesso são ainda maiores, como você verá nas páginas a seguir. Com base nas experiências de professoras que atendem alunos com NEE, respondemos às seis perguntas mais recorrentes enviadas à redação. Essas educadoras certamente indicarão caminhos para você que, como elas, trabalha para fazer a inclusão de verdade.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade



Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde Profª. Drª. Cássia Maria Buchalla Eduardo Santana de Araujo. A família de classificações internacionais da Organização Mundial de Saúde, fornece um sistema para codificação de uma ampla gama de informações. Nestas classificações utiliza-se uma linguagem comum e padronizada para permitir a comunicação em todo o mundo, entre várias disciplinas e ciências. Atualmente, as condições de saúde são classificadas principalmente pela Classificação Internacional de Doenças, Décima Revisão (CID-10). A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF), assim como a CID-10, pertence à família das classificações internacionais desenvolvidas pela Organização Mundial de Saúde para aplicação em vários aspectos distintos. Trata-se de uma revisão da International Classification of Impairments, Disabilities and Handcaps (ICIDH), que foi lançada pela Organização Mundial de Saúde em 1980 para fins de pesquisa. A tradução da ICIDH foi feita em Portugal e ficou conhecida no Brasil como “Classificação Internacional de Deficiências, Incapacidades e Desvantagens (CIDID)”. Em 1993, a ICIDH sofreu uma revisão, sendo lançada a ICIDH-2. Em 2001, numa nova revisão, a Organização Mundial de Saúde, em sua 54ª. assembléia, aprovou a atual CIF e recomendou seu uso para os países membros através da resolução WHA54.21. Nesta última revisão, a classificação deixou de ser uma classificação da conseqüência de doenças para transformar-se num instrumento de componentes de saúde capazes de identificar, de maneira global, o que constitui a saúde, representando uma mudança de paradigma para se pensar e trabalhar a deficiência e a incapacidade, sendo um veículo para avaliação do estado de saúde e da qualidade de vida. A CIF assume uma posição neutra em relação à etiologia, de modo que os pesquisadores podem desenvolver inferências causais utilizando métodos e técnicas adequados. Segundo o modelo da CIF, a incapacidade é resultante da interação entre a disfunção, a limitação das atividades, a limitação da participação social e dos fatores ambientais. Duas pessoas com a mesma doença podem ter níveis funcionais diferentes, assim como duas pessoas com o mesmo nível funcional não têm, necessariamente, a mesma doença. O objetivo geral da CIF é proporcionar uma linguagem unificada para descrever os estados relacionados à saúde. Os capítulos contidos na CIF são descritos com base na perspectiva do corpo, do indivíduo e da sociedade, em três listas básicas: (1)Funções e Estruturas do corpo; (2)Atividades e Participação e (3)Fatores Ambientais. A CID não contempla o grau da incapacidade, nem seu impacto sobre as atividades funcionais do indivíduo. A utilização da CIF em hospitais e em outros serviços de saúde, é capaz de possibilitar um melhor entendimento do quadro funcional dos pacientes, além de ajudar a diminuir custos por fornecer um esquema de codificação para os sistemas de informação em saúde. A utilização de um sistema codificado melhora a organização das informações, tornando possível o estabelecimento de uma linguagem comum para a descrição dos estados relacionados à saúde, melhorando a comunicação entre os diferentes profissionais de saúde e elaboradores das políticas administrativas. Com esse instrumento, os profissionais das áreas de saúde poderão registrar a incapacidade e a desvantagem que a pessoa tem na sociedade, o impacto da deficiência em seu meio ambiente, sua limitação de movimento, preconceitos que vivência em função de sua deficiência, mostrar a estrutura do corpo que está acometida pela deficiência, registrar o grau de atividade, participação social, os fenômenos ambientais envolvidos e a necessidade de intervenção e tecnologia assistida.

Referência bibliográficas:
• Organização Mundial de Saúde / Organização Panamericana de Saúde. CIF – Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde: Universidade de São Paulo; 2003. • BUCHALLA, Cássia M.. A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde. Revista Sentidos, ano 02, nº17. 2003. • Centro Colaborador da OMS para a Classificação de Doenças em Português da USP. Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde. 1ª edição. 2004 • DMR do Hospital das Clínicas da FMUSP. Medida de Independência Funcional (MIF para adultos) Versão Brasileira. 2005• KENDALL,Henry Otis. Músculos - Provas e Funções. 4ª edição.1995 SULLIVAN, Susan. Fisioterapia - aval


Fonte :: Vide referências bibliográficas, seguida da matéria.....

terça-feira, 24 de julho de 2012

Ministros inauguram centro de tecnologia para deficientes‎ em Campinas


O governo federal inaugurou em Campinas (SP), o Centro Nacional de Referência em Tecnologia Assistiva (CNRTA), ação do Programa Viver sem Limite, gerenciado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência e pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O investimento inicial previsto é de 12 milhões reais.
O Centro não atenderá diretamente pessoas com deficiência, mas contribuirá para a melhoria da inserção delas na sociedade. O objetivo será articular uma rede formada por instituições e pela indústria, mobilizando e fomentando a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologia assistiva para que bens e serviços sejam distribuídos no mercado, com custos acessíveis.
De acordo com Victor Pellegrini Mammana, diretor do CTI, o alinhamento da demanda social à capacidade de inovação dos agentes de pesquisa é bastante atrativo para o setor produtivo, que é o responsável por levar a tecnologia assistiva até a sociedade. Ele aponta que atualmente, o local tem ao menos nove projetos em andamento para atender às necessidades de pessoas com deficiência.
O MCTI deverá repassar anualmente 1 milhão de reais para o custeio dos trabalhos do Centro, além de 500 mil reais para vinte núcleos organizados em várias universidades do País. Essa medida busca apoiar coordenadamente os esforços nacionais de produção de inovações tecnológicas nessa área.
A criação do Centro é uma das ações do componente de Ciência e Tecnologia do Plano Viver sem Limites, que também conta com 90 milhões de reais de crédito subsidiado e 60 milhões de reais de subvenção para financiar o desenvolvimento de produtos. “Trata-se de uma ação integrada para gerar inovação e difusão tecnológica em larga escala. E o CNRTA será líder desse processo”, diz Marco Antonio Raupp, ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Para Maria do Rosário Nunes, ministra-chefe da Secretaria dos Direitos Humanos, o Viver sem Limites deve ser um plano federativo que potencializa a união, estados e município com a locação de recurso e políticas públicas.
Fonte: Computerworld

sábado, 21 de julho de 2012

Aplicativo auxilia cegos nas compras


Criado para celulares por alunos do CIn da UFPE, o Ampli.Vision extrai do código de barras nome, preço e outras informações sobre o produto e repassa para usuário

Publicado em 20/07/2012, às 11h51

Do JC Online

Independentemente da área de estudo, acessibilidade é um assunto que sempre está em pauta. Na área de ciências da computação também não é diferente. Utilizando novas ferramentas tecnológicas, alunos do Centro de Informática (CIn) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) criaram um aplicativo de celular que tem como objetivo auxiliar os deficientes visuais na hora de fazer compras.
Batizado de Ampli.Vision, o aplicativo foi criado na disciplina projeto de desenvolvimento – projetão, com apoio dos professores Cristiano Coelho e Geber Ramalho. “Ao mesmo tempo em que existe um mercado promissor nessa área, trabalhar com acessibilidade foi a maneira que encontramos de ajudar a sociedade”, explica a gerente de projeto da Ampli.Up, a estudante Luana Martins.
O aplicativo funciona da seguinte maneira: basta posicionar o celular em frente ao código de barra que a aplicação identifica o nome, preço e outras informações sobre o produto e repassa a informação para o usuário por meio de sistema de voz. “O app identifica os códigos de barras com leitura multidirecional. Assim não é necessário que o código de barras esteja alinhado com o aparelho”, diz Luana. 
O produto será disponibilizado no Android Market e os supermercados que o adquirirem terão de fazer uma assinatura periódica para manutenção e atualização do sistema. “Ainda não temos nada fechado, mas já conversamos com dois representantes de supermercados para estudar a viabilidade do projeto”, explica.
Desde o momento de idealização do Ampli.Vision até a apresentação final, o grupo passou quatro meses trabalhando. “Esta disciplina nos ajuda a vivenciar, dentro do mundo acadêmico, uma experiência de concepção e desenvolvimento de um produto, nos preparando para o mercado de trabalho”, comenta a aluna do CIn.
Também desenvolveram o Ampli.Vision os estudantes André van Drunen, Arley Rodrigues, Erick Lucena, Gabriela Cunha Sampaio, Leonardo Leandro, Lucas Mendes, Luiz Felipe Maia Bagetti, Roberto Souto Maior Filho e Thiago Miotto Amaral.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

LiVox - Sistema de Comunicação Alternativa para Tablets



O LiVox é o primeiro sistema de comunicação alternativa para tablets totalmente em português do mundo! Desenvolvido por Carlos Pereira na Reamo Beike, o sistema tem ajudado pacientes que não conseguem se comunicar a viverem uma vida mais digna e significativa.